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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Neuroma Iterdigital ou Neuroma de Morton

O neuroma de morton é uma tumefação benigna do nervo interdigital do pé. Esse nervo é responsável pela transmissão das sensações dos dedos do pé. O neuroma geralmente se desenvolve no 3° espaço, entre o 3° e 4° metatársicos, porém pode ocorrer em qualquer outro espaço metatársico. A maior incidência no 3° espaço se deve a aspectos anatômicos do nervo e a maior mobilidade do 4° metatarso em relação ao 3°, fato que pode resultar em microtraumas nessa região.
Os sintomas mais comuns relatados pelos indivíduos acometidos são: dor tipo queimadura, dormência ou sensação de choque na base dos 2°, 3° e 4° dedos que pode irradiar até a ponta dos dedos.
Essa patologia acomete mais as mulheres, possivelmente pelo uso frequente de sapatos de salto alto causando maior descarga de peso sobre os metatarsos (região anterior do pé). Outros fatores como excesso de peso, calçados com bico fino, ficar por muitas horas de pé ou excesso de impacto, podem resultar no aparecimento dessa patologia.
O seu diagnóstico pode ser realizado através de testes clínicos como a palpação interdigital, compressão dos metatarsos resultando em aparecimento dos sintomas e utilizando exames complementares (ultra-som e ressonância magnética).
Inicialmente, os sintomas do neuroma de morton podem aliviar com descanso, retirada do calçado e massagem sobre os dedos, porém essa patologia não apresenta regressão espontânea. O seu tratamento inicial geralmente é conservador utilizando técnicas como:

  • mudança dos tipos de calçados, dando preferência para calçados sem salto, confortáveis e macios;
  • uso de palmilhas plantares personalizadas confeccionadas por um podólogo especializado;
  • utilização de técnicas terapêuticas que busquem a correção da biomecânica correta do pé, e técnicas anti-inflamatórias e analgésicas;
  • utilização de medicamentos associados ao tratamento.

Mais de 80% dos casos evoluem bem com o tratamento conservador, porém alguns casos não apresentam evolução adequada, sendo indicado o tratamento cirúrgico. O procedimento cirúrgico é o único que irá remover definitivamente a tumefação benigna, porém após a intervenção existe um período de recuperação e alguns casos pode ocorrer déficit de sensibilidade nos dedos envolvidos devido a lesão nervosa ocasionada na cirurgia. 
Neuroma de Morton

Procedimento Cirúrgico

sábado, 25 de setembro de 2010

Hálux Valgo (Joanete)



O hálux valgo, também chamado de joanete, consiste em uma deformidade ocorrida no primeiro dedo do pé. Essa lesão é o resultado do desvio do hálux (dedão do pé) para a lateral do pé. 

O desvio pode ocorrer entre a falange proximal e o metatarso ou entre as próprias falanges. Além do desvio outras deformidades vão ocorrendo: deslocamento dos tendões e ossículos tornando o hálux insuficiente; alargamento da cabeça do primeiro metatarso formando uma saliência óssea globosa (exostose); enrijecimento dos tecidos capsulares mantendo as estruturas na posição defeituosa; os dedos laterais podem sofrer lesões devido a pressão do dedo deslocado.

Sobre a exostose, forma-se um bolsa sinovial onde acontecem processos inflamatórios ou infecciosos (bursites), causando dor e desconforto. Enquanto cresce a deformidade, aumenta a exostose na face medial da cabeça do metatarso e agravando a bursite e a dor. A articulação metatarso falângica vai sendo luxada lateralmente até o ponto de completa incompetência do grande dedo que vai sendo gradativamente excluído da marcha e sobrecarregando os dedos laterais. Este estado pode ser notado pelo deslocamento progressivo do segundo dedo (e muitas vezes dos demais) e pelo aparecimento de calosidades plantares sob as cabeças dos metatársicos laterais.
A incidência principal dessa patologia é em mulheres de 40 a 50 anos, sendo referidos como principais sintomas a dor sobre a exostose e bursa e a dificuldade de utilizar alguns tipos de calçado.

As causas podem ser divididas em:
  • intrínsecas (ligadas a pessoa): destacam-se os fatores genéticos (história familiar), hálux maior que os outros dedos, doenças sistêmicas pré-existentes (artrite reumatóide ou outras doenças reumáticas), anatomia óssea do pé (pés planos), frouxidão ligamentar etc.
  • extrínsecas (fatores externos): dentre as causas extrínsecas, principalmente o uso de calçados inadequados, com destaque para o sapato de salto alto e ponta fina. 

O tratamento do hálux valgo poderá ser conservador ou cirúrgico. O método conservador consiste em:
  • Medidas antiinflamatórias e analgésicas: ultra-som, TENS, crioterapia, etc...; 
  • Técnicas manuais: mobilizações , alongamentos e fortalecimentos de membro inferior; 
  • Medidas de prevenção: uso de órtese de proteção ou bandagem corretiva a noite, uso de espaçador interdigital, evitar uso de calçados bico fino e salto alto. 

Quando o método conservador não é bem sucedido pode-se recorrer ao tratamento cirúrgico. É importante realizar um pré e pós-operatório para que a intervenção cirúrgica obtenha sucesso.

Desvio lateral do hálux 

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Entorse de Tornozelo

Uma lesão muito comum no cotidiano da fisioterapia e da população são os entorses de tornozelo ou o popular "torcer o tornozelo". O entorse é um movimento violento e abrupto, no qual o pé faz uma inversão ou uma eversão (vira sola para linha média do corpo ou para o lado exteno do corpo) causando estiramento ou ruptura dos ligamentos dessa articulação. O entorse por inversão é o mais comum e causa lesão nos ligamentos laterais do tornozelo.


A gravidade do entorse será proporcional a força e a energia que ocorreu o movimento. De acordo com a sua gravidade, o entorse será classificado levando em considerações o número de ligamentos acometidos e principalmente o nível de estiramento ocorrido.




  • Grau 1: Estiramento ligamentar.
  • Grau 2: Lesão ligamentar parcial.
  • Grau 3: Lesão ligamentar total.







O ligamento mais acometido no tornozelo é o talo-fibular anterior, podendo também atingir o calcâneo-fibular dependendo da energia da lesão. Alterações como dor, edema , dificuldade para deambular (caminhar),  hematoma e equimose (mais evidente após 48 horas) são comuns nessa lesão.
O seu diagnóstico é clínico podendo ser realizado exames complementares como ultra-som e ressonância magnética, para melhor avaliação do grau da lesão. O raio-X também pode ser efetuado para descartar alguma fratura durante o entorse. 

Tratamento:
O período de tratamento vai depender da gravidade da lesão. Existem diversos protocolos de tratamento para entorse de tornozelo. Colocarei aqui o que basicamente é realizado.

  1. diminuir a dor e a inflamação ( Gelo, TENS, interferencial, Ultra-som pulsatil etc..). O médico também pode prescrever algum antiinflamatório ao paciente;
  2. proteger a área afetada (tala, imobilizador, bandagem, muletas, etc...);
  3. combater o edema ( elevação da perna e mobilizazor passivo);
  4. restabelecer a amplitude de movimento (ADM) livre de dor;
  5. mobilização / manipulação das articulações para melhora da ADM;
  6. prevenir a atrofia muscular (exercícios, uso de correntes para fortalecimento);
  7. aumentar a tolerância a sustentação de peso;
  8. aumentar o controle neuromuscular (propriocepção);
  9. alcançar independência do paciente com atividades funcionais e exercícios para domicílio.
Fontes: Mark Dutton - Fisioterapia Ortopédica - artmed, 2006.
No caso de dúvidas deixe sua mensagem, obrigado.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Esporão de Calcâneo - Fascite plantar

O esporão de calcâneo é uma patologia muito presente no cotidiano da fisioterapia. Irei escrever alguns conceitos básicos sobre essa lesão e dar algumas dicas que apresentam bons resultados.


É muito comum a procura pelos serviços de fisioterapia por pacientes com dor na região do calcanhar e sola do pé. O principal diagnóstico desses pacientes é o de esporão de calcâneo ou fascite plantar. Essas patologias não são necessariamente a mesma lesão, porém em aproximadamente 50% dos casos ambas estão presentes e seu tratamento fisioterápico é bem semelhante. 
Acomete mais os indivíduos com na faixa etária dos 40 aos 60 anos de idade e principalmente as mulheres. A dor pode iniciar de forma insidiosa ou de forma aguda após algum trauma ou atividade que solicite muito o uso do calcanhar. Os pacientes referem dor ou desconforto na sola do pé, principalmente na região do calcanhar. Esse desconforto é pior pela manhã, nos primeiros passos ao se levantar da cama. 



A fáscia plantar (aponeurose plantar) é uma camada de tecido fibroso que se estende do calcâneo (calcanhar) até os dedos do pé , recobrindo a sola do pé. Alterações no pé (pé chato, cavo, etc...) ou na forma de caminhar, encurtamentos musculares, fraqueza muscular, excesso de peso, esforço repetitivo, uso de calçados inapropriados ou trauma direto podem causar lesões e inflamação da fáscia, gerando fascite plantar. Possivelmente a tensão aumentada na fáscia e nos grupos musculares localizados na sola do pé podem originar a osteofitóse no calcâneo e colaborar com o surgimento do esporão de calcâneo. Porém esse mecanismo ainda não é bem estudado e sua relação ainda não é totalmente comprovada. 



O tratamento consiste em analgesia inicial (gelo, TENS, Interferêncial), mobilização e manipulações das articulações do pé e membro inferior, alongamento do tendão de aquiles e fáscia plantar, uso de calcanheira de gel e palmilhas também auxiliam no tratamento. O uso de bandagem funcional também pode ser muito útil no tratamento. Os exercícios para musculatura intrínseca do pé e do membro inferior devem estar presentes para atingir bons resultados no tratamento. 
Alguns casos não respondem bem ao tratamento convencional e  pode ser necessário o uso de medicação e utilização do night splint que é um imobilizador do tornozelo que irá auxiliar no alongamento da fáscia enquanto o paciente dorme. O procedimento cirúrgico somente será realizado em último caso, quando os outros tratamentos não obtiveram resultado.

esporão de calcâneo

Proteção para o calcanhar de gel


Night Splint