Os músculos gastrocnêmio e sóleo situados na perna, região chamada de panturrilha ou "barriga da perna", são inseridos no calcâneo (calcanhar) através do tendão de aquiles. A função principal desse grupo muscular é realizar a planti-flexão do pé (ficar na ponta dos pés), ação muito utilizada em atividades como caminhada, corrida e saltos.
O tendão de aquiles é propenso a sofrer uma lesão se houver uma contração excêntrica brusca e vigorosa dos seus músculos. Esse mecanismo é demonstrado mais facilmente durante as atividades de salto e de aterrissagem, nas quais o joelho fica estendido enquanto o tornozelo exibe uma dorsi-flexão excêntrica.
O local da ruptura do tendão geralmente fica situado em um ponto logo acima do calcâneo. Os possíveis motivos para ocorrer a ruptura nesse local são a deterioração vascular, a degeneração inespecífica que evolui para necrose tecidual e o uso de corticosteróides injetáveis podem enfraquecer essa área e predispô-la para uma lesão.
O individuo que sofre essa lesão refere um estalido audível e a sensação de ter sido atingido por um pontapé na perna. Em geral constata-se fraqueza imediata da flexão plantar, dor, tumefação e um defeito palpável.
Indivíduos com faixa etária de 30 a 50 anos que praticam atividades físicas extenuantes com históricos de tendinite por longo período nessa região ou mal condicionados são os mais comuns a apresentarem essa lesão. A ruptura também pode ocorrer por trauma direto.
Os principais exames para o diagnóstico da ruptura são a Ultrassonografia e Ressonância Magnética. O Raio-X pode ser realizado para descartar alguma fratura por avulsão ou outro diagnóstico diferencial.
O tratamento poderá ser cirúrgico ou conservador. A escolha pela forma de tratamento será determinada de acordo com a gravidade da lesão e as características individuais de cada paciente.
O tratamento conservador está mais indicado para pequenas lesões ou em pacientes idosos, muito sedentários ou portadores de doenças sistêmicas. Consiste em imobilização por 6-10 semanas em planti-flexão com retorno gradual a dorsiflexão em 4 a 6 semanas, com auxilio do tratamento fisioterápico nesse período.
A fisioterapia poderá atuar na fase pré e pós operatória e no tratamento conservador da lesão. Os objetivos básicos do tratamento serão:
- analgesia inicial;
- diminuição do edema;
- evitar aderências cicatriciais;
- fortalecimento e ganho de flexibilidade do tendão e da musculatura afetada;
- trabalho de propriocepção e equilíbrio;
- treino de marcha;
- retorno as atividades funcionais.
