sábado, 25 de setembro de 2010

Hálux Valgo (Joanete)



O hálux valgo, também chamado de joanete, consiste em uma deformidade ocorrida no primeiro dedo do pé. Essa lesão é o resultado do desvio do hálux (dedão do pé) para a lateral do pé. 

O desvio pode ocorrer entre a falange proximal e o metatarso ou entre as próprias falanges. Além do desvio outras deformidades vão ocorrendo: deslocamento dos tendões e ossículos tornando o hálux insuficiente; alargamento da cabeça do primeiro metatarso formando uma saliência óssea globosa (exostose); enrijecimento dos tecidos capsulares mantendo as estruturas na posição defeituosa; os dedos laterais podem sofrer lesões devido a pressão do dedo deslocado.

Sobre a exostose, forma-se um bolsa sinovial onde acontecem processos inflamatórios ou infecciosos (bursites), causando dor e desconforto. Enquanto cresce a deformidade, aumenta a exostose na face medial da cabeça do metatarso e agravando a bursite e a dor. A articulação metatarso falângica vai sendo luxada lateralmente até o ponto de completa incompetência do grande dedo que vai sendo gradativamente excluído da marcha e sobrecarregando os dedos laterais. Este estado pode ser notado pelo deslocamento progressivo do segundo dedo (e muitas vezes dos demais) e pelo aparecimento de calosidades plantares sob as cabeças dos metatársicos laterais.
A incidência principal dessa patologia é em mulheres de 40 a 50 anos, sendo referidos como principais sintomas a dor sobre a exostose e bursa e a dificuldade de utilizar alguns tipos de calçado.

As causas podem ser divididas em:
  • intrínsecas (ligadas a pessoa): destacam-se os fatores genéticos (história familiar), hálux maior que os outros dedos, doenças sistêmicas pré-existentes (artrite reumatóide ou outras doenças reumáticas), anatomia óssea do pé (pés planos), frouxidão ligamentar etc.
  • extrínsecas (fatores externos): dentre as causas extrínsecas, principalmente o uso de calçados inadequados, com destaque para o sapato de salto alto e ponta fina. 

O tratamento do hálux valgo poderá ser conservador ou cirúrgico. O método conservador consiste em:
  • Medidas antiinflamatórias e analgésicas: ultra-som, TENS, crioterapia, etc...; 
  • Técnicas manuais: mobilizações , alongamentos e fortalecimentos de membro inferior; 
  • Medidas de prevenção: uso de órtese de proteção ou bandagem corretiva a noite, uso de espaçador interdigital, evitar uso de calçados bico fino e salto alto. 

Quando o método conservador não é bem sucedido pode-se recorrer ao tratamento cirúrgico. É importante realizar um pré e pós-operatório para que a intervenção cirúrgica obtenha sucesso.

Desvio lateral do hálux 

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Entorse de Tornozelo

Uma lesão muito comum no cotidiano da fisioterapia e da população são os entorses de tornozelo ou o popular "torcer o tornozelo". O entorse é um movimento violento e abrupto, no qual o pé faz uma inversão ou uma eversão (vira sola para linha média do corpo ou para o lado exteno do corpo) causando estiramento ou ruptura dos ligamentos dessa articulação. O entorse por inversão é o mais comum e causa lesão nos ligamentos laterais do tornozelo.


A gravidade do entorse será proporcional a força e a energia que ocorreu o movimento. De acordo com a sua gravidade, o entorse será classificado levando em considerações o número de ligamentos acometidos e principalmente o nível de estiramento ocorrido.




  • Grau 1: Estiramento ligamentar.
  • Grau 2: Lesão ligamentar parcial.
  • Grau 3: Lesão ligamentar total.







O ligamento mais acometido no tornozelo é o talo-fibular anterior, podendo também atingir o calcâneo-fibular dependendo da energia da lesão. Alterações como dor, edema , dificuldade para deambular (caminhar),  hematoma e equimose (mais evidente após 48 horas) são comuns nessa lesão.
O seu diagnóstico é clínico podendo ser realizado exames complementares como ultra-som e ressonância magnética, para melhor avaliação do grau da lesão. O raio-X também pode ser efetuado para descartar alguma fratura durante o entorse. 

Tratamento:
O período de tratamento vai depender da gravidade da lesão. Existem diversos protocolos de tratamento para entorse de tornozelo. Colocarei aqui o que basicamente é realizado.

  1. diminuir a dor e a inflamação ( Gelo, TENS, interferencial, Ultra-som pulsatil etc..). O médico também pode prescrever algum antiinflamatório ao paciente;
  2. proteger a área afetada (tala, imobilizador, bandagem, muletas, etc...);
  3. combater o edema ( elevação da perna e mobilizazor passivo);
  4. restabelecer a amplitude de movimento (ADM) livre de dor;
  5. mobilização / manipulação das articulações para melhora da ADM;
  6. prevenir a atrofia muscular (exercícios, uso de correntes para fortalecimento);
  7. aumentar a tolerância a sustentação de peso;
  8. aumentar o controle neuromuscular (propriocepção);
  9. alcançar independência do paciente com atividades funcionais e exercícios para domicílio.
Fontes: Mark Dutton - Fisioterapia Ortopédica - artmed, 2006.
No caso de dúvidas deixe sua mensagem, obrigado.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Pilates , CUIDADO!

Hoje tive acesso a uma matéria que saiu no jornal Zero Hora sobre a utilização do método Pilates em aulas de ginástica em academias. Lembre-se, os exercícios do pilates podem trazer ótimos benefícios quando bem empregados. Cada praticante deverá realizar a aula de forma personalizada com ênfase nos seus objetivos, observando suas limitações. Aulas realizadas sem o devido preparo e orientação podem causar dor e lesões aos praticantes. Tenha cuidado e procure um serviço de qualidade para praticar o pilates. 

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Esporão de Calcâneo - Fascite plantar

O esporão de calcâneo é uma patologia muito presente no cotidiano da fisioterapia. Irei escrever alguns conceitos básicos sobre essa lesão e dar algumas dicas que apresentam bons resultados.


É muito comum a procura pelos serviços de fisioterapia por pacientes com dor na região do calcanhar e sola do pé. O principal diagnóstico desses pacientes é o de esporão de calcâneo ou fascite plantar. Essas patologias não são necessariamente a mesma lesão, porém em aproximadamente 50% dos casos ambas estão presentes e seu tratamento fisioterápico é bem semelhante. 
Acomete mais os indivíduos com na faixa etária dos 40 aos 60 anos de idade e principalmente as mulheres. A dor pode iniciar de forma insidiosa ou de forma aguda após algum trauma ou atividade que solicite muito o uso do calcanhar. Os pacientes referem dor ou desconforto na sola do pé, principalmente na região do calcanhar. Esse desconforto é pior pela manhã, nos primeiros passos ao se levantar da cama. 



A fáscia plantar (aponeurose plantar) é uma camada de tecido fibroso que se estende do calcâneo (calcanhar) até os dedos do pé , recobrindo a sola do pé. Alterações no pé (pé chato, cavo, etc...) ou na forma de caminhar, encurtamentos musculares, fraqueza muscular, excesso de peso, esforço repetitivo, uso de calçados inapropriados ou trauma direto podem causar lesões e inflamação da fáscia, gerando fascite plantar. Possivelmente a tensão aumentada na fáscia e nos grupos musculares localizados na sola do pé podem originar a osteofitóse no calcâneo e colaborar com o surgimento do esporão de calcâneo. Porém esse mecanismo ainda não é bem estudado e sua relação ainda não é totalmente comprovada. 



O tratamento consiste em analgesia inicial (gelo, TENS, Interferêncial), mobilização e manipulações das articulações do pé e membro inferior, alongamento do tendão de aquiles e fáscia plantar, uso de calcanheira de gel e palmilhas também auxiliam no tratamento. O uso de bandagem funcional também pode ser muito útil no tratamento. Os exercícios para musculatura intrínseca do pé e do membro inferior devem estar presentes para atingir bons resultados no tratamento. 
Alguns casos não respondem bem ao tratamento convencional e  pode ser necessário o uso de medicação e utilização do night splint que é um imobilizador do tornozelo que irá auxiliar no alongamento da fáscia enquanto o paciente dorme. O procedimento cirúrgico somente será realizado em último caso, quando os outros tratamentos não obtiveram resultado.

esporão de calcâneo

Proteção para o calcanhar de gel


Night Splint






terça-feira, 7 de setembro de 2010

Fratura por estresse


Semana passada avaliei uma paciente com o diagnóstico de fratura por estresse, saiba mais sobre essa patologia.

As fraturas por estresse são micro fissuras ósseas causadas por excesso de cargas acumuladas no tecido ósseo de forma repetida. Fatores que diminuem a absorção de impacto como fadiga muscular, uso de calçado inapropriado, alterações na pisada, associados a excesso de intensidade e frequência dos treinamentos podem resultar em fraturas por estresse. 
O principal sintoma dessa patologia é o desconforto e a dor que pode ser moderada ou intensa. A área de dor pode ser generalizada, com perda de força e dor ao pisar. O seu diagnóstico pode ser difícil pois quando avaliado de forma precoce não é visível por raio - X. Os exames complementares indicados para a identificação dessa patologia são a ressonância magnética e a cintilografia óssea. O raio - X será útil somente após algumas semanas quando as fraturas já apresentarem calo ósseo ou se evoluírem para fraturas expressivas.
Os ossos do membro inferior são os mais acometidos sendo principalmente o pé, tíbia, fíbula e fêmur. Essa patologia é comum entre atletas, principalmente corredores, porém atletas de final de semana também devem se prevenir. As mulheres são mais acometidas que os homens devido fatores comportamentais e fisiológicos.



Tratamento: O tratamento mais utilizado é conservador. 

  1. Afastamento da atividade que causou a lesão e restrição de toda atividade que cause dor ou impacto. Esse afastamento pode ser de 6 a 8 semanas com ou sem utilização de imobilizador do tipo robofoot. 
  2. Realização de reabilitação com técnicas de analgesia (TENS, Gelo, Interferêncial), ultra-som para auxiliar a cicatrização da fratura e realização de técnicas de fortalecimento muscular e alongamento. O tratamento pode ser inicialmente realizado na água (hidroterapia) e ir progredindo ao poucos, culminando com técnicas funcionais que possibilitem o retorno do paciente com mais segurança as suas atividades. 
  3. Utilização de calçado adequado com bom sistema de amortecimento e apropriado ao tipo de pisada do paciente. 
  4. Substituição da atividade realizada por outra sem impacto, com retorno gradual a atividade de origem dando preferência a terrenos mais macios como a grama.
  5. Algumas fraturas mais severas podem resultar em tratamento utilizando cirurgia para fixação da lesão.



Cintilografia óssea


Fratura por estresse no 2º metatarso


A tíbia é muito acometida por fraturas de estresse.




Primeiro Post

Olá Pessoal.
Esse blog foi criado com intuito de divulgar a fisioterapia e os meus serviços como terapeuta. Além disso, servirá como fonte de consulta contendo informações sobre técnicas, patologias, variedades, etc...
Desde já, agradeço a colaboração e peço a ajuda e opiniões de todos que queiram cooperar com essa ideia.
Obrigado e Bom feriado a todos.